“Fim” por Fernanda Torres – A resenha

fimFim

Fernanda Torres

208 páginas

Companhia das Letras

O livro

Não é necessariamente sobre o fim, mas sobre vários começos e meios de cinco amigos, Álvaro, Ciro, Sílvio e Ribeiro e Neto, homens já na bela idade que rememoram suas grandes aventuras e intrigas, um grande balanço de suas vidas e suas reflexões sobre o fim do outro. Um livro carioca. Bem carioca. Tão carioca que só “a” Fernanda Torres sentada na praia, como o pão de açúcar ao fundo, para poder te dar uma ideia do que esperar sobre o livro.

 

A escrita

“Fernanda Torres em seu novo papel: o impresso”, foi assim que a Companhia das Letras divulgou a estreia da consagrada atriz no mundo literário. Com uma longa carreira na atuação, a carioca Fernanda resolveu arriscar com um papel e uma caneta (ou um computador, tanto faz). A narrativa de “Fim” é sensacional. É de uma leveza, uma descontraída junção de palavras que criou uma história por muitas vezes cômica na mesma medida que ela é trágica. Ela nos arranca do conforto para refletir sobre a vida e da mesma forma nos faz rir e rir livremente.

Agora, eu havia comentado com meu pai sobre um outro lado, acho eu até um pouco vicioso da autora de ser extremamente carioca. Fernanda é conhecida na TV por seu sotaque forte ou por personagens que vivem sempre o sonho fluminense de morar na zona sul do Rio. Uma coisa que me chama a atenção e que me chama a atenção é o uso dos artigos antes dos nomes. Aqui eu posso estar levantando um tapete que talvez merecesse acumular poeira, pois os artigos antes dos nomes é algo bem próprio e bem regional. No nordeste não usamos e provavelmente isso sem dúvidas é o motivo pelo qual li o livro todo com uma sobrancelha levantada toda vez que lia o Sílvio fez isso, o Álvaro comeu aquela, o Ribeiro é um mala. E isso é incomum nos livros num geral também, pois há regras para o uso. Mas vou levantar uma bandeira branca, pois o livro É CARIOCA e ela faz questão de levantar essa bandeira ao mencionar os bairros da cidade como numa novela do Manoel Carlos. E ainda assim eu adoro isso.

Talvez por pura nostalgia. Tenho família no Rio e viajava para lá todo santo ano. Viajei para lá tantas vezes que parei de contar aos 12 anos. Costumava ficar lá quase 2 meses e eu e meu irmão costumávamos trocar os sotaques e os jeitos para evitar chamar atenção, principalmente quando íamos para o Centro (principalmente à Uruguaiana) onde os vendedores não são tão agradáveis com outsiders, sem falar os comentários do tipo “Ah, eu tenho um parente que veio de lá”. Simplesmente adotei a cidade natal do meu pai para mim. Até costumo brincar dizendo que assim que Recife for para debaixo d’água não irei para longe de casa, pois sempre terei o Rio de Janeiro.

Os personagens

São cinco homens nascidos de uma mente genial. É incrível como eles são. Todos eles tem  seus gênios fortes que fazem você se esquecer que saíram de fato da cabeça de uma mulher. Seus hábitos e pensamentos são bem próprios da classe e isso só destaca a incrível capacidade de Fernanda Torres de criação. Eles são vivos.

Agora vou levantar um cartão para Sílvio. Eu odeio Sílvio. Sílvio é um c# de pessoa, eu simplesmente o achei excessivo. Uma pessoa não tem como ser assim. Eu não vejo a beleza em ser Sílvio. Não entendo o porquê a sua vida mereça um mérito e tudo nele me incomoda. O jeito como ele objetifica as pessoas, como vive sem limites e é por isso que o acho perfeito. Sílvio é horrível o suficiente para que o odiasse como alguém que eu conhecesse.

Álvaro sim é o meu favorito. Gosto de sua ironia:

Não separo lixo, não reciclo, jogo guimba no vaso, uso aerossol, tomo longos banhos quentes e escovo os dentes com a torneira aberta. Dane-se a humanidade. Não vou estar aqui para assistir. (Posição 138, kindle)

Os cinco compartilham um tipo de amizade invejável. Eles são bem divergentes e ainda assim possuem esse elo invejável por qualquer um. Eu adoraria ter amigos como eles (Exceto Sílvio, não gosto dele :P).

O enredo

Os capítulos se dividem em Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro. Cada capítulo conta história do personagem e se sucede com a morte de outro. Ao longo da história de uns você aprende sobre os outros e são nessas memórias que nós construímos os personagens através de sua intimidade e das lembranças que os seus amigos têm deles.

Concluindo

O livro “Fim” talvez não seja para todos. Acredito que ele necessita de algo a mais para fazer com que as pessoas queiram lê-lo. E isso é algo que faz com que eu fique faltando palavras para conseguir descrevê-lo que me incomoda. Não é realmente um livro genial, mas uma boa leitura do livro de uma grande atriz. Fica aqui meus resultados:

O livro 8/10 – Eu achei o livro meio que um “material Globo”. Seu deboche e sua pouca autocensura provavelmente não o levaria a uma adaptação como uma minissérie no canal e isso pode reafirmar para muitos que Fernanda Torres é de fato uma ótima autora e que aguardamos por mais obras.

A escrita 7/10 – Gostei muito da fluidez da leitura, mas ainda a penalizo pelos seus vícios linguísticos.

Os personagens  6/10 – Eu os acho vazios. Por mais que eu acredite que ela conseguiu construir ótimo personagens, eu ainda os acho fúteis, uma futilidade cansativa que se iguala a uma piada contada excessivamente. Eles vivem uma falsa boêmia, acreditam apenas em si e as suas falta de humanidade, acredito eu, são excessivas.

O enredo 10/10 – Sim, aqui vai um 10 porque eu gostei muito do jeito como o livro é construído. Gostei muito da história e das intrigas e, longe de qualquer preconceito, acredito sim que seja uma leitura que valha a pena.

Total 8/10

Galego, a nosa lingua?

Se você está aqui, creio que seja um leitor do Gonca, um brasileiro ou um português que, assim como eu, tenha alguma curiosidade neste idioma que nem todos nós damos a devida importância. Falo do galego. Não, não falo do lourinho (como se diz comumente no Nordeste e no Sul), mas sim de uma língua falada na Galiza situada na Espanha, ao norte de Portugal.

Bandeira de Galicia

No Ensino Médio nós acabamos nos deparando, nas aulas de Literatura Portuguesa, com o Galego-português, a língua da qual o português moderno surgiu e se consolidou, após a publicação de “Os Lusíadas” por Luís Camões. Vamos lembrar um pouquinho dessas aulas. O nosso idioma, o Português, nasce no noroeste da península Ibérica a partir de um conjunto de dialetos conhecidos como galego-portugueses. Há cerca de 800 anos atrás, a língua portuguesa nasceu, na fundação da Universidade de Coimbra, a mais importante da Lusofonia. “Nessa época, o galego (que tem semelhança com o português e é falado na Galiza, região da Espanha ao norte de Portugal) começa a ser visto pelos portugueses como língua arcaica. É nesse eixo Coimbra -Lisboa que o português moderno vai se constituir.” [veja aqui]

O Galego, então, toma um rumo diferente do português, criando suas próprias características fonéticas e adquirindo um pouco do castelhano, devido ao simples fato de estar na Espanha.

O Galego, a raiz

Falamos galego? O português e o galego vêm do mesmo grupo linguístico, o que faz com que possamos retornar a uma mesma língua. Então pode-se dizer que sim (ainda que não), além das fortes proximidades léxicas, um falante do galego pode-se fazer compreendido tanto em Portugal quanto principalmente no Brasil. Isso se deve ao fato de que o Brasil é como um grande Portugal. Além de dividirmos a língua e uma grande parte da nossa cultura com os irmãos além-mar, fomos fortemente colonizados pelos portugueses. Grande parte da nossa população é luso-brasileira, e isso é visto como um fato curioso principalmente porque nem todos os países colonizados manteve essa semelhança. Um bom exemplo é os EUA e a Inglaterra, os estadunidenses descendem majoritariamente de alemães e irlandeses, ou até a Argentina, que assim como o sul brasileiro, tem uma grande população italiana.

Os maiores grupos de Portugueses que vieram para cá são os do norte de Portugal, onde se fala um sotaque/dialeto vulgarmente conhecido como galego do sul. O grupo de dialetos do português falado no Brasil, conhecido como português brasileiro, preserva muito de suas características originais. Isso mesmo querido brasileiros, nós somos de fato conservadores frente a nossa pronúncia. No Brasil se pronuncia de forma parecida aos portugueses que chegaram aqui por volta dos séculos XVI-XVII nas grandes imigrações. No século XIX, a família real trouxe ao Rio de Janeiro não só a rainha e o príncipe-regente, mas assim como uma enorme comitiva que se agregava a mais e mais nobres vindos de Lisboa. Por isso, a cidade do Rio de Janeiro (e arredores) tem um sotaque com características mais próximas do lusitano atual e que para nós no resto do Brasil soa até engraçado, como os s chiado e o r vibrado que os cariocas arrumaram até que colocar no lugar dos s em meio de frases, criando o famoso “é mermo”.

A falta de contato que se mantém, infelizmente, no Brasil, faz com que tenhamos dificuldade em compreender o português lusitano, coisa que não acontece com os lusófonos africanos que além de serem grandes consumidores de mídia brasileira também preservam contatos fortes com Portugal. Resultado, curiosamente, o Galego é muito bem compreendido pelos brasileiros e os portugueses. Eles, por causa da proximidade geograficamente e de sua longa história, e nós aqui, por causa de nossa provável conexão ancestral e linguística.

As diferenças mais marcantes são fenômenos fonológicos como a gheada e a ausência de sons nasais. Um ótimo vídeo que achei que ajudaria a compreender melhor essas diferenças é este aqui abaixo.

Mas se o que te interessas é escutar um verdadeiro falante, aqui está:

Hoje em dia, a Galicia possui o estado de observador associado (ainda dependendo da aprovação do governo espanhol, veja aqui) na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e é um dos dialetos mais ameaçados dentro do território espanhol, e luta pelo reconhecimento de sua aproximação com a língua portuguesa e contra a ameaça do castelhano que está sendo adotado por novas gerações. Apesar de muitos preferirem dizer que seja apenas português da Galiza, a forte influência espanhola faz com que ela se torne cada vez mais distinta afastando-se do Galego original que originou ambas as línguas.

Sim, aliás, o título não está com erro de português, está em galego.

Leituras Recomendadas

Galiza: A Unidade da Língua Portuguesa em Risco. http://blogcontosgrotescos.blogspot.com.br/2009/08/galiza-unidade-da-lingua-portuguesa-e.html.

O Galego Português. http://historiadalinguaportuguesa.weebly.com/o-galego-portuguecircs.html

“Quando Tudo Volta” por John Corey Whaley – A resenha

quanto tudo voltaQuanto Tudo Volta:

“Porque eu estou acordado em um mundo”

John  Corey Whaley

224 páginas

Editora Novo Conceito

Por muito tempo eu simplesmente dividi minhas resenhas em Sinopse e Resenha, hoje eu irei começar a esmiuçá-las para até para ver se me entretenho um pouco mais. Resenharei o livro, o autor e os personagens concluindo sobre o enredo.

O livro

Uma morte por overdose, um fanático religioso e um pássaro “extinto” que reaparece em uma cidade pequena, é mais ou menos assim que a sinopse do livro é apresentada. O livro gira em torno de Cullen Witter e a sua família, principalmente o seu irmão de 15 anos, Gabriel, quem Cullen afirma ser uma pessoa melhor que até o admirar, ele admira. Acontece que um dia Gabriel desaparece e ninguém consegue explicar o porquê e Cullen se vê sufocado pela atenção intensa que a pequena cidade de Lilly está dando ao pássaro Lázaro.

A escrita

John Corey Whaley é um novato no mundo literário. Com apenas dois livros publicados, o americano de 30 anos já conseguiu atingir o mercado brasileiro através da editora Novo Conceito – que também anda dando grandes passos se desprendendo dos títulos altamente voltados para o mercado de jovens garotas adolescentes.

O jeito como Whaley escreve é ótimo. Se você procura um livro bom para ler em um tempo em que você simplesmente não quer se matar com autores cansativos (*cof Dan Brown *cof), Whaley se mostra um mestre nas escolhas das palavras. Eu simplesmente gostei de como sua narrativa é leve e ainda assim ele consegue manter firme as rédeas na sua história e manter o leitor interessado no livro.

Os personagens

No começo do livro eu fiz uma marcação que achei que seria basicamente um resumo sobre Cullen Witter:

O Dr. Webb diz que a maioria das pessoas ver o mundo em bolhas. Isso as mantém confortáveis em seus lugares e no lugar dos outros. O que ele quer dizer é que muitas pessoas, para se sentir bem consigo e em relação às outras, automaticamente dispõem todo mundo em pequenos grupos de estereótipos. É por isso que os garotos que não gostam de esportes ou não praticam sexo indiscriminado são chamados de gays, as pessoas que conseguem boas notas sem estudar são chamadas de nerds, e as pessoas que parecem não se preocupar com nada e têm pouco dinheiro são chamadas de vagabundas. (Posição 137, kindle)

Eu pensei que eu estaria de frente a um personagem introvertido, até porque ele se apresenta como uma pessoa não tão atrativa quanto o seu irmão e isso se prova uma mentira logo depois. Não queria estar me colocando no grupo de pessoas descritas por Dr. Webb, mas eu achei Cullen um personagem difícil de engolir, pois é sim mas confortável que ele fosse uma coisa ou outra, pois fica uma coisa tipo “Ah eu sofro e sou estranho, peraí, deixa eu pular a janela do quarto desta garota com quem eu acabei de transar”.

O enredo

Whaley mantém dois núcleos principais um iniciado por Cullen Witter e sua família e outro por Benton Sage, que está no Canadá na Etiópia em uma missão da sua igreja. As duas histórias são muito bem construídas e mantém o mesmo ritmo, o que eu já descobri em muitos livros ser um desafio. Recentemente estive lendo um romance no qual o autor parece ter mais ânimo com um núcleo do que com o outro e isso fica perceptível no momento em que você fica torcendo para aqueles capítulos acabarem. E isso não acontece em “Quanto Tudo Volta”, sair de um mundo a outro não torna a história cansativa, simplesmente cria um ritmo bom que faz com que você devore o livro mais rápido e favorece para um incrível fim.

Sim, um incrível fim, eu simplesmente gostei muito de como o livro encerra e não poderei falar nada mais que isso até porque temos que precaver os spoilers.

Concluindo

Não sei se foi só eu, mas eu fiquei com uma sensação de que John Whaley conseguiu um ótimo tema, com ótimas metáforas e paralelos que deixaram de ser explorado. Gostei muito de como Lázaro, o pássaro, incomoda Cullen pois ele está ganhando mais atenção que seu irmão e o momento em que ele parece irritado com sua pequena cidade a ponto de não querer acreditar em segundas chances. Eu gostaria de ter visto maiores desafios na leitura, ficaria sem dúvidas muito bom.

Além do mais, “Quanto Tudo Volta” é um ótimo livro, um lançamento da editora que te levará a uma ótima. Confira abaixo os resultados:

O livro 8/10 – A ideia do livro não achei que foi bem apresentado e isso pode prejudicar atrair a atenção de novos leitores.

A escrita 9/10 – É incrível encontrar novos autores que parecem simplesmente escrever do jeito que mais me agrada, aqui vai honra ao mérito ao novato.

Os personagens 7/10 – Não achei que eles foram bem construídos, parece que uns excedem o seu papel e outros se desenvolvem muito rápido, fazendo com que a gente não entenda bem quem é quem.

O enredo 7/¹0 – Um excelente vira páginas com uma pegada inteligente que não foi bem explorada.

Total 8/10 – Sem dúvidas este é o lançamento que você já deveria ter comprado e lido.

Livros bons para quem tem pouco tempo

Olá, queridos leitores. Desculpe a falta de resenha, mas dessa vez eu decidi que não iria resenhar tão imediatamente assim as coisas. Não trabalho para um grande editorial e o Gonca é o meu hobby apenas.

Sou aluno de Direito, e para quem também é, deve saber o quanto de texto temos que ler, quanta pesquisa tem que ser feita e o tempo se esvai fácil. Eu gosto muito de ler “grossos” (se você é fã d’As Crônicas de Gelo e Fogo, lê-se “finos”), gosto quando dá tempo do autor de desenvolver os personagens, e você vai se apegando a uns. Quando a leitura demora para mim é maravilhoso. Mas com o pouco tempo que tenho tido, eu passei a preferir livros pequenos para poder ler nos meus intervalos sem perder o ritmo. Os livros mais densos eu deixo para as férias, já que meu período letivo dura apenas 4 meses, não é tanto tempo assim a se esperar.

Dos bons livros que li que são pequenos, eu recomendo:

Dos brasileiros:

Mas melhor do que essa humilde lista é a lista dos “55 Great Books Under 200 Pages”, ou “Os Grandes 55 Livros Menores que 200 Páginas” que achei na Ebookfriendly.com. A maior parte dos autores são anglófonos, mas ainda é uma ótima lista e não nos incomodamos tanto.

Dos publicados no Brasil, por ordem esquerda para direita, cima a baixo, são:

  1. “Ratos e Homens” por John Steinbeck
  2. “Sidarta” por Herman Hesse
  3. “O Oceano no Fim do Caminho” por Neil Gaiman
  4. “O Velho e O Mar” por Hemingway
  5. “O Grande Gatsby” por F. Scott Fitzgerald
  6. “A Pérola” por John Steinbeck
  7. (—)
  8. “O Guia do Mochileiros das Galáxias” por Douglas Adams
  9. (—)
  10. (—)
  11. (—)
  12. (—)
  13. “A Ponte de São Luís Rei” por Thornton Wilder
  14. “Crônica de Uma Morte Anunciada” por Gabriel Garciá Márquez
  15. “O Estrangeiro” por Albert Camus
  16. “Um Conto de Natal” por Charles Dickens
  17. “Mau Começo” por Lemony Snicket
  18. (—)
  19. “A Rua das Ilusões Perdidas” por John Steinbeck
  20. (—)
  21. “O Pônei Vermelho” por John Steinbeck
  22. “A Menina e O Porquinho” por E. B. White
  23. “O Despertar” por Kate Chopin
  24. (—)
  25. (—)

UPDATE: Eu comecei este post em fevereiro e até agora não terminei. Aliás são 55 livros, então fica a lista até 25 e depois eu renovo.

“1808″ por Laurentino Gomes – A resenha

18081808

Laurentino Gomes

Editora Planeta do Brasil

408 páginas

ISBN: 9788576653202

Um pouco sobre o livro

Basicamente: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil.

A resenha

Comecei a ler este livro porque meu pai havia comprado 1889 na última Black Friday e eu simplesmente pensei, “O que é que tem neste livro?”. Puxei o livro da estante e agora estou aqui para contar como você deve ler 1808  e como você não precisa necessariamente ser fã de história.

Quando estamos na escola simplesmente escutamos, em 1808 o príncipe regente Dom João VI abandonou Portugal, fugindo de Napoleão Bonaparte, e chegou ao Brasil com toda a comitiva real para o outro lado do oceano Atlântico. Mas quem necessariamente foi D. João VI, porque ele é importante para a história de Portugal e do Brasil?

Em 1808, Laurentino Gomes desconfigura aquela ideia perfeitinha da antiga realeza. Detalhes pessoais e íntimos da família real são expostos no livro da melhor maneira, o que acaba prendendo o leitor da primeira até a última página. Se a história da chegada da família real ao Brasil não te interessar, sem dúvidas descobrir que o único homem a ter enganado Napoleão tinha medo de trovões e caranguejos e que sua mulher, a espanhola Dona Carlota Joaquina, vivia tentando dar golpes em seu marido, sem dúvidas vão prender a sua atenção.

O livro vai além do seu didático tradicional. Perguntas como “E Portugal? Ficou Como?”, “Como os brasileiros conviviam com os membros da realeza?” ou o simples “Como era a família real?” são levantadas pelo autor.

Mas também não é só de críticas e fofocas que vive o livro. Nos relatos históricos do período de 1808 à 1822, Laurentino Gomes lembra também da importância da estadia do rei aqui  no Brasil e como inusitado era para o mundo ver uma até então colônia tornar-se berço da sede de um reino unido europeu. O Brasil sem dúvidas não teria desenvolvido tanto se não fosse pela intervenção direta da Coroa Portuguesa e não seríamos assim um grande país de proporção continental se não fosse pelo poder de nossos monarcas durante o século 19.

O livro cultiva reações diversas em seus leitores, e sem dúvidas é uma ótima dica de leitura para todos os geeks de história!